Nosso Diretor de Expansão para a África
Adebiyi Aromolaran oferece suas percepções em primeira mão sobre os desafios operacionais e de pagamentos observados na Nigéria e na África do Sul, tanto do ponto de vista empresarial quanto do consumidor.
Duas das maiores economias da África, Nigéria e África do Sul, são bons exemplos da fragmentação dos mercados emergentes. Quando analisamos essas regiões, precisamos observá-las de forma holística antes de abordar o tema de pagamentos. Quando combinamos esses desafios e tentamos expandir para esses países com sucesso, entendemos por que as operações são complexas.
A Nigéria enfrenta problemas de liquidez para acessar USD e controles cambiais rígidos. O acesso ao dólar é limitado e a maioria dos cartões só permite pagamentos em naira, portanto, não há transações transfronteiriças. Isso gerou muita concorrência: vários players fintech e bancos disputam a atenção de consumidores e empresas.
A África do Sul, por outro lado, é mais industrializada que a Nigéria e não possui os mesmos problemas de liquidez em FX; o controle cambial é rigoroso. Não há problema de liquidez, mas sim restrições ao acesso e à saída de USD do país.
Ambos os países se diferenciam de seus vizinhos africanos, pois não são economias lideradas por mobile money ou dinheiro vivo, como Quênia, Gana e Egito. Esquemas locais de cartões de crédito e débito e transferências bancárias são atualmente os métodos de pagamento preferidos nas duas regiões.
Como a dLocal navega pelas complexidades regulatórias desses mercados, para si e para seus parceiros? Como a dLocal ajuda a resolver esses desafios regionais?
Quando analisamos esses mercados de alto crescimento, observamos as áreas onde não há luz. A dLocal é a lanterna que revela informações que, de outra forma, permaneceriam totalmente ocultas. Não existe um guia para as regiões em que operamos.
Depois analisamos as áreas cinzentas: quais complexidades já conhecemos e como podemos simplificá-las para nossos merchants. Por exemplo, na Nigéria, as licenças são diretas, porém demoradas.
Na África do Sul, duas licenças são necessárias e o processo é mais simples. No entanto, um desafio é a concorrência dos sistemas tradicionais e legados.
Aqui, as parcerias são essenciais. Romper sistemas de pagamento tradicionais estabelecidos por décadas exige trabalho. Por isso, colaboramos com bancos, PSPs e reguladores.
Para todos esses mercados de alto crescimento, manter um relacionamento contínuo com os reguladores, acompanhar as políticas governamentais (que mudam constantemente) e antecipar movimentos é fundamental.
No fim, a dLocal tem dois públicos: os merchants e os consumidores. Se resolvemos os problemas dos merchants, isso beneficia os consumidores que são cidadãos daquela economia. E essa economia é positivamente impactada pelo que oferecemos. Trabalhamos com nossos parceiros para garantir que não estamos construindo castelos no ar — estamos construindo soluções reais que funcionam. E é isso que deixa nossos merchants satisfeitos. Nossos parceiros sabem que podem confiar na dLocal, contar conosco para encontrar soluções, e que não fazemos promessas que não podemos cumprir.
Exato, não entregamos o produto e dizemos “tchau”. Continuamos monitorando todos os movimentos do mercado, de todos os ângulos.
Você já teve uma experiência pessoal de falta de acesso por não haver APMs disponíveis?
Duas situações. Antes de a dLocal estar totalmente operacional na Nigéria, esses problemas começaram a sair do controle. Eu assinei um serviço de streaming popular usando um cartão internacional. Era caro, entre USD 9 e 14. O preço era igual ao dos EUA, mas considerando a economia local, era muito.
Não havia preço local: todos os serviços eram cross-border. A Nigéria restringiu cada vez mais o uso de dólares. O limite foi de USD 100 mensais para USD 20, até chegar a zero. Assim, o valor da assinatura não correspondia ao benefício que eu recebia em naira.
Quando essas empresas localizam pagamentos e preços, vejo o impacto imediato no bolso. Todas as empresas globais deveriam pensar em quantos milhares de assinantes estão por aí querendo pagar e usar o serviço, mas estão excluídos.
Essa experiência é comum para consumidores de mercados emergentes e mostra a enorme demanda reprimida que surge quando barreiras de preço e métodos de pagamento são removidas. Pagamentos localizados geram benefícios para plataformas, merchants e consumidores.
O que você diria a alguém que quer expandir para Nigéria e África do Sul, mas não sabe por onde começar?
- Pesquise profundamente: a realidade local costuma ser diferente do que se lê online
- Entenda o impacto da regulação e da economia local no seu negócio
- Avalie se vale a pena o tempo e o custo de se localizar sozinho ou buscar um parceiro local qualificado
- Procure parceiros que já tenham redes e infraestrutura sólidas e que possam operar cobranças de forma compliant em seu nome